Matando a cobra e mostrando o esqueleto da cobra

Não gosto de Python. É uma daquelas coisas de empatia à primeira vista, ou falta dela.

Quando era criança e ganhei um computador, tive que aprender BASIC: era programar ou esperar quinze minutos para carregar um jogo pirateado armazenado numa fita cassete. Por sorte, o saudoso HotBit veio com dois manuais explicando a linguagem, com exemplos para cada comando, consumindo (para usar um termo mais atualizado) todo meu tempo disponível.

Mas BASIC era mais ou menos como sarampo: a gente pegava quando era novo. Para os cientistas da computação, a linguagem tinha vários defeitos. Entre eles, era interpretada, o que não ajudava em nada o bom e velho Z80 rodando a 3,58MHz. Mas mesmo que o processador fosse muito mais potente, era um desperdício ter que reinterpretar a mesma linha de código dentro de um laço.

Outra característica que causava um olhar de incomensurável desprezo era o fato de ser possível modificar o programa e executá-lo novamente em poucos segundos, testando várias coisas até que algo funcionasse. Isso incentivava “a preguiça e falta de planejamento”.

Esse tipo de coisa traumatiza uma criança.

Avancemos alguns anos. Décadas. Enfim. Depois de várias linguagens da moda, eis que surge Python. E entre as várias vantagens apregoadas pelos fãs, eis que aparecem: “prototipagem rápida” e “interpretada”. Isso traumatiza um adulto.

Pelo menos, não estou sozinho na minha “birra”: o Dr. Neal Krawetz também tem oito razões para odiar Python.

A minha principal razão: o recuo (ou, em inglês: “indentation”). Espaços? Quatro espaços? Tabulação? Linha maior que a largura da página? Não vou entrar no mérito da coisa, mas o artigo vale a leitura, mesmo que você goste da cobra.

Anúncios